Manutenção precária ameaçava patrimônio público em Registro

As goteiras e infiltrações no prédio da Prefeitura de Registro logo no primeiro dia de trabalho eram apenas o anúncio da precária manutenção do patrimônio público que se constata a cada vistoria realizada pela nova gestão. Imóveis, maquinários e até estoque de medicamentos foram encontrados em péssimas condições de armazenamento e manutenção.

Na Secretaria de Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente, quatro tratores, um caminhão basculante, um caminhão Ford Cargo e uma retroescavadeira estão com problemas por falta de manutenção, como pneus carecas, necessidade de trocar peças, fazer balanceamento ou revisão elétrica. Um Fiat Doblo e duas pick-ups também precisam de reparos – uma das pick-ups estava sendo fechada com arame porque faltava trinco na porta.

Com o maquinário agrícola não foi diferente. Pelo menos 11 equipamentos foram encontrados sem condições de uso, inclusive uma roçadeira ano 2009 que quebrou e foi deixada em local aberto, rodeada pelo mato. Assim também estavam arados, grades niveladoras, plaina agrícola e carreta. “Percebemos que, na medida em que se precisava fazer o conserto em algum maquinário, eram utilizadas peças de outras máquinas mais antigas, que acabaram ficando tão depreciadas que hoje nem compensa mais mandar arrumar”, explica o chefe do Departamento de Desenvolvimento Agrário, Adriano Hermes de Sousa. Segundo ele, pelo menos uma grade niveladora e um arado reversível já foram indicados para leilão.

No caso de um trator, a Prefeitura abriu sindicância para apurar as circunstâncias de um acidente envolvendo o veículo. Em dezembro do ano passado, o trator foi ligado não se sabe por quem – foi em um final de semana – e rodou no estacionamento da Secretaria até encostar em outro veículo da Prefeitura – um Ford Fiesta. O trator ficou funcionando e patinando até gastar a roda traseira. Foi feito Boletim de Ocorrência na época e a atual administração abriu a sindicância para apurar as responsabilidades.

Falta de documentos

Na Seção Técnica de Meio Ambiente o problema mais grave é a falta de documentos. A coordenadora técnica de Saneamento Ambiental, Milena Ribeiro Koki, revela que todos os arquivos dos computadores foram apagados. “Enfrentamos dificuldade com o processo do aterro sanitário, que ainda necessita de adequações e tivemos que buscar o processo no Fórum para saber dos detalhes”. Enquanto isso, a Prefeitura já providenciou no dia 12/01 o cascalhamento do acesso e da estrada do interior do aterro para melhorar as condições de tráfego.

Francisco do Nascimento, responsável pela Seção, explica que nem mesmo as finanças de 2012 foram fechadas ainda por falta de informações. A equipe trabalha também na legalização da Cooperativa de Catadores e na formação do Conselho Municipal de Meio Ambiente, essencial para que a pasta possa receber recursos públicos. “O prazo para formação do conselho venceu em 12 de dezembro e agora estamos batalhando para ver se conseguimos formalizar”, relata Francisco.

Frota da Garagem Municipal

Na Garagem Municipal, onde fica a maioria da frota da Prefeitura e a sede da Secretaria de Manutenção e Serviços Municipais, a má conservação dos veículos também surpreendeu o novo secretário, Cláudio Bolsonello. Com exceção de uma patrol e uma retroescavadeira adquiridas em 2012 com recursos do Ministério de Desenvolvimento Agrário, os demais veículos e maquinários estavam precisando de algum tipo de reparo ou manutenção.

Um trator estava parado havia dois meses porque faltavam duas pequenas peças. Detalhe: as peças estavam na caixa de ferramentas na própria garagem. Edmilson, chefe da frota que trabalha há 10 anos na Prefeitura, diz que a manutenção realizada até agora sempre foi corretiva. “Nunca houve um planejamento para fazer a manutenção preventiva. O maquinário pesado já tem mais de 10 anos de uso e precisa de revisões constantes”, afirma.

A Prefeitura também abriu sindicância para apurar o desaparecimento de 13 roçadeiras adquiridas em 2010. Elas constam na relação de patrimônio, mas não foram encontradas na Secretaria.

O secretário Claudio Bolsonello diz que outro desafio da nova gestão é melhorar a infraestrutura da garagem. “As instalações para os funcionários estão muito precárias. Vamos buscar recursos para futuramente realizar uma reforma no prédio”. Claudio destaca que a equipe está percorrendo as estradas rurais para detectar os pontos críticos e realizar a manutenção e os reparos emergenciais com o maquinário que já foi possível consertar. Paralelamente, está sendo realizado um planejamento para atender toda a zona rural. “Já conversamos com todos os funcionários e a grande maioria está comprometida em trabalhar com a nova gestão pelo município”.

Estrutura no Arapongal nunca foi usada

Inaugurada em julho do ano passado pela Prefeitura, a chamada “Base Operacional do Arapongal” – vinculada à Secretaria de Manutenção e Serviços Municipais – nunca foi utilizada. A informação foi constatada junto ao vigia que mora em condições precárias no local desde a inauguração. Contratado pela frente de trabalho, ele dorme em um colchão no chão e cozinha fazendo fogueira. Segundo matéria divulgada pela própria Prefeitura na época da inauguração, a Base iria atender o Arapongal com trabalhos de varrição, roçada, limpeza de ruas e bueiros, com a operação tapa buraco, entre outros. Na Base Operacional iria trabalhar ainda uma equipe responsável em executar os trabalhos no bairro e um coordenador para receber e encaminhar as demandas. No entanto, segundo o próprio vigia, o galpão nunca abrigou nenhuma máquina ou equipe de trabalho.

Adquirido por meio de comodato, o contrato do galpão irá vencer agora em março sem nunca ter sido utilizado pela Prefeitura. O local será desativado pela atual administração.

Medicamentos armazenados de forma precária

A quantidade de medicamentos encontrada pelo atual secretário municipal de Saúde, João Sakô, é suficiente para atender a demanda durante muitos meses. Porém, são péssimas as condições de armazenamento dos produtos. Os remédios ficam no térreo de um prédio alugado na Rua Sinfrônio Costa. O andar superior está vazio, mas repleto de goteiras e infiltrações. Na semana passada, quando o secretário foi verificar o local, havia poças d’água por todo o piso superior. Essa água acaba infiltrando para o térreo, atingindo as caixas de medicamentos.

No Posto de Saúde do Arapongal Oeste, foram encontradas caixas de medicação no banheiro, ao lado do cesto de lixo. O prédio apresenta ainda rachaduras e vazamentos.

Depósito do PIT em ruínas

Atingido por um incêndio em janeiro de 2012, o Posto de Informações Turísticas (PIT), localizado ao lado da Rodoviária, passou o ano todo sem receber qualquer reparo ou reforma. Os raios atingiram três palmeiras e o depósito do PIT, provocando incêndio. O fogo não se alastrou para outros cômodos do imóvel porque os bombeiros agiram rápido. Barracas para exposição, artesanato e outros materiais foram queimados na época. Um ano depois, o depósito continua em ruínas.





























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